terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Orelha & Nina

 


Dois casos semelhantes separados por mais de 1000km de distância.

Enquanto a cadela Orelha, adotada pela comunidade da Praia Brava em Florianópolis, era impiedosamente agredida e morta por 4 fedelhos manezinhos mimados e mal criados, filhos da alta sociedade Florianopolitana, em Lorena, no Vale do Paraíba paulista, Nina, outra cachorra de rua, adotada por frentistas de um posto do centro da cidade , era igual e covardemente agredida por um motociclista que desferiu chutes em sua barriga, fazendo com que necessitasse de uma cirurgia.

Logo, o caso de Florianópolis ganhou repercussão nacional, com intervenção de políticos da capital catarinense no caso e a exposição dos agressores com fotos e nomes nas redes sociais, bem como dos estabelecimentos comerciais pertencente às suas famílias, com pedidos de boicote, incluindo um hotel de renome da cidade.

Enquanto isso, numa escala menor, os frentistas do posto de combustível em Lorena,  fizeram uma rifa para cobrir os custos dos cuidados com Nina, com um significativo sucesso. Uma rifa de preço popular com premiação de 100 litros de combustível para o vencedor, que não chegou a estampar grandes mídias, mas mobilizou a sociedade local. Diferente de outros muitos casos que passam despercebidos e sem projeção, esse tipo de crime contra animais vem aumentando e ganhando mídia. Quem não se lembra do caso do cavalo que teve as patas amputadas pelo seu dono em Bananal, no fundo do Vale Histórico?

Na mesma velocidade, o caso de Orelha, a cachorra de Florianópolis, ganhou mais destaque nas mídias e até projeção internacional.  Os autores estão sendo mantidos cristalizados a sete chaves por suas famílias, com medo de retaliações. Alguns deles com a premiação de uma viagem ao exterior para esperar a poeira baixar e agora surge a denúncia de coação às testemunhas do caso. Mas a lei há de prevalecer e os responsáveis responsabilizados pela brutalidade. Enquanto isso, espera-se que se identifique o motociclista de Lorena para igual ação da lei.

Especialistas em comportamento humano alertam para esses sinais de psicopatia que se desenvolvem nas pessoas e que essas atrocidades são experimentadas em animais antes de serem experimentadas em humanos, considerando alguma impunidade e aumentando a vulnerabilidade de pessoas diante de casos como esse.

O assunto é sério. Não são apenas  casos pontuais,  isolados, de violência contra dois animais de ruas, dóceis, adotados, que viraram objeto de descarrego de ira alheia e sim, mostra o quão doente as pessoas andam e  o quanto nossa sociedade padece e tem que conviver com isso. Não se deve normalizar a atitude cruel do motociclista e nem o sadismo de uma ação de um grupo de moleques mimados, mal criados e sem noção. Essas pessoas estão doentes e precisam, além da punição pelos crimes cometidos, de tratamento profissional para evitar que amanhã, outros animais ou mesmo pessoas do convívio  sejam manchetes, vítimas de outros crimes hediondos. 

*atualizando: como se não bastasse, mais uma notícia envolvendo maus tratos. Em Igarapava, no interior de SP, um homem arrasta por 7km, até a morte, uma cadela prenhe de 10 filhotes que estava amarrada no para-choque de seu veículo. E o mais triste, o agressor passou por audiência de custódia e aguarda o processo em liberdade. Até quando?

Nos vemos, nos lemos!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Censura disfarçada de Projeto!

imagem de IA


 

O que está em debate aqui não é proteção da infância,  é a censura.

E censura, na história do Brasil, nunca foi sobre moralidade, sempre foi sobre poder.

Toda vez que um governo ou um grupo tenta controlar a arte usando o discurso da “sexualização”, o resultado é o mesmo: perseguição política, silenciamento e medo.

Nós já vimos isso e, mais uma vez, a roda da história se repete.

Vimos quando o samba era chamado de indecente, o candomblé era criminalizado, o indígena era preguiçoso, o hiphop coisa de bandido, etc .

Vimos quando artistas, escritores e professores foram perseguidos na Ditadura sob o pretexto de proteger a família brasileira.

O Brasil já tem leis para proteger nossas crianças, tem classificação indicativa, tem o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O que falta não é legislação , o que falta é honestidade. O que falta é fiscalização! Se não me engano vereadores são "fiscais da população que representam".

Esse tipo de projeto não protege ninguém.

Ele apenas cria um instrumento para que qualquer produção cultural seja punida quando não agrada a um grupo político ou ideológico específico e como cortina de fumaça pra outras temerosas transações. Fiquemos atentos aos bastidores.

Quem decide o que é “sexualização”? Quais parâmetros? O que julga? Quem julga: um político, um comitê, uma igreja? Quem se responsabiliza?

Quem garante que essa lei não será usada para perseguir artistas negros, indígenas, LGBTQIA+, mulheres e outras minorias como aconteceu tantas vezes na nossa história?

A cultura é trabalho, é educação, é identidade, é memória, preservação da memória (material e imaterial). Ela não é inimiga!

A cultura  existe porque o povo existe!

O nosso papel aqui não é censurar, é garantir direitos, proteger a diversidade e fortalecer a democracia.

Produções culturais criam impacto econômico.

Censura gera insegurança jurídica: afugenta patrocinadores e destrói a economia criativa local . E isso é péssimo pro turismo, que parece ser a bola da vez. Quanta desconformidade de pensamente, não?

Por isso, eu me posiciono contra este projeto.

Porque um país que cala seus artistas está calando sua própria consciência, sua identidade, sua voz.