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O que está em debate aqui não é proteção da infância, é a censura.
E censura, na história do Brasil, nunca foi sobre moralidade, sempre foi sobre poder.
Toda vez que um governo ou um grupo tenta controlar a arte usando o discurso da “sexualização”, o resultado é o mesmo: perseguição política, silenciamento e medo.
Nós já vimos isso e, mais uma vez, a roda da história se repete.
Vimos quando o samba era chamado de indecente, o candomblé era criminalizado, o indígena era preguiçoso, o hiphop coisa de bandido, etc .
Vimos quando artistas, escritores e professores foram perseguidos na Ditadura sob o pretexto de proteger a família brasileira.
O Brasil já tem leis para proteger nossas crianças, tem classificação indicativa, tem o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O que falta não é legislação , o que falta é honestidade. O que falta é fiscalização! Se não me engano vereadores são "fiscais da população que representam".
Esse tipo de projeto não protege ninguém.
Ele apenas cria um instrumento para que qualquer produção cultural seja punida quando não agrada a um grupo político ou ideológico específico e como cortina de fumaça pra outras temerosas transações. Fiquemos atentos aos bastidores.
Quem decide o que é “sexualização”? Quais parâmetros? O que julga? Quem julga: um político, um comitê, uma igreja? Quem se responsabiliza?
Quem garante que essa lei não será usada para perseguir artistas negros, indígenas, LGBTQIA+, mulheres e outras minorias como aconteceu tantas vezes na nossa história?
A cultura é trabalho, é educação, é identidade, é memória, preservação da memória (material e imaterial). Ela não é inimiga!
A cultura existe porque o povo existe!
O nosso papel aqui não é censurar, é garantir direitos, proteger a diversidade e fortalecer a democracia.
Produções culturais criam impacto econômico.
Censura gera insegurança jurídica: afugenta patrocinadores e destrói a economia criativa local . E isso é péssimo pro turismo, que parece ser a bola da vez. Quanta desconformidade de pensamente, não?
Por isso, eu me posiciono contra este projeto.
Porque um país que cala seus artistas está calando sua própria consciência, sua identidade, sua voz.

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