segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ter pra ser!

 

imagem gerada por IA

Quem nunca observou programas televisos que promovem gincanas, verdadeiras maratonas físicas e mentais, com famílias em troca de dinheiro e ou prêmios, mesmo que isso custe muita exposição de dramas íntimos e choro? Aliás, quanto mais choro tiver, melhor. Parece que audiência se alimenta de lágrimas alheias. Alguns casos chegam a ser uma verdadeira lavanderia de dramas particulares e gatilhos que são exploradas ao máximo, espremidos até a última gota.

Colocam os participantes em níveis altos de estresse e depois lançam perguntas simples em que a resposta é comprometida pelo estado mental daquele momento, afinal, transitar desse patamar para a lógica é uma caminho que exige muita inteligência emocional no pouco tempo disponível, fora o nervosismo que o momento televisivo impõe e o cenário imposto: locutor que fica em cima falando sem parar e aquela música de suspense de trilha sonora mais a pressão da plateia. Nem questiono nível de conhecimento pois essa variável é enorme e não quero ser preconceituoso.

E chamam isso de entretenimento!

Geralmente, esses programas são patrocinados por grandes lojas do varejo em que a oferta dos prêmios, produtos atuais, atiçam o desejo de consumo. A qualquer custo, parece!

Embora não seja minha área, parece que o valor montante dos prêmios ofertados não chega a uma parcela considerável dos custos de uma publicidade televisa daquele tamanho, mais o custo emissora, sabidamente elevados, milionários até. Isso levando em conta que nem todo participante consegue levar 100% dos prêmios. 

Outro ponto curioso que chega por depoimentos dos participantes é o desejo por itens caros, de marcas famosas, tops de linha, como se fosse obrigatório ter aqueles bens  para serem aceitos, onde a posse desses bens de consumo serve de ingresso àquele grupo, alguma forma de pertencimento. E itens de uso comum pessoal ou de uma casa ficam em segundo plano ou totalmente descartados. Os depoimentos são claros: o notebook do meu irmão, o smartphone do meu pai, a geladeira duplex da minha mãe, o microondas, o ar condicionado, isso e aquilo. Não que as pessoas não mereçam isso. Longe disso, afinal vivemos uma sociedade em que o fosso entre as realidades é largo e profundo,  mas onde somente um lado dita as regras para esse pertencimento.

Para ser isso, tem que ter aquilo. E isso é massivamente bombardeado na mídia: dos grandes lançamentos, das publicidade explicitas, do merchandising de conteúdo gerando valor, merchandising indireto até às subliminaridades inseridas em falas, gestos, imagens ou bordões que ganham popularidade.

E a gente vê nesse público justamente o resultado dessa massificação de propaganda, onde a posse de determinadas marcas te colocam num patamar de igualdade, te empoderam de algo. As pessoas se tornam divulgadores ou outdoors ambulante, nem que seja um item pirateado, outro lado importante desse jogo que enriquece uma fatia gorda do mercado. Não vou falar de ações lícitas , pois abre um leque de considerações para ambos os lados desse mundo mercadológico: piratear uma marca é tão lícito quanto manipular uma parcela da população? Eis a questão! Uma delas, aliás.

E que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu atraído por um determinado bem que vem de encontro com as necessidades, todas elas, da utilidade do produto quanto ao status, mesmo que, momentâneo, que isso gera.

Sem dizer que isso tem outro valor. O custo final! Muitas vezes fora da realidade.

E há quem tire onda desse propósito. Existe uma marca internacionalmente badalada e cultuada que vende bens de vestuário e acessórios por valores estratosféricos, convertidos em reais, onde um tênis rasgado, um saco plástico, caixas de papelão ganham muitos zeros no valor final. E há quem compre defendendo o conceito! 

Não há nenhum problema em consumir produtos que nos facilite o dia a dia, que tenha utilidade , beleza, custo justo e que seja possível adquirir como fruto do nosso trabalho sem grandes manobras de sobrevivência, principalmente aqueles com tempo de vida limitada: obsolescência programada, tópico pra outra postagem.

A questão é mais de bom senso e critérios e que nem tudo vale uma exposição em rede nacional.

Nos vemos, nos lemos!



sábado, 11 de abril de 2026

Voltamos à Lua....ou nunca saímos da dúvida?

                             fotos: @nasa Instagram 


Sem dúvidas, a manchete dessa semana é o sucesso da missão Artemis II, que levou 4 astronautas ao ponto mais distante já alcançado pelo homem no espaço, dando uma volta ao redor da Lua, registrando e revelando seu lado oculto, testemunhando um eclipse solar e reforçando a beleza da Terra vista do espaço.

Uma missão que foi usada para testes de uma nova viagem tripulada à Lua, prometida para os próximos anos, onde o homem vai tocar novamente o solo lunar, após mais de 50 anos da última caminhada de um astronauta no satélite natural do planeta Terra. Uma missão oficialmente divulgada como teste de sistemas tripulados, teste de manobras manuais, teste do sistema de comunicação a laser com otimização de velocidade, validação e resgate de recuperação, sobrevoo de observação, avaliação de radiação em ambientes hostis, testes de hardware e outras pequenas missões, como consertar o vaso sanitário milionário a bordo, um dos pequenos percalços enfrentados pela tripulação.

Teorias da conspiração em ação afirmam que uma das missões secretas era fazer estudos de imagem do solo lunar em busca de água e metais preciosos escassos no planeta Terra e, quem sabe, a instalação de uma futura base lunar de extração.

Outros teóricos mais radicais questionam que essa missão não é um retorno à Lua, porque não houve pouso, e reacendem uma polêmica acatada por um considerável percentual da população mundial de que o homem nunca pisou lá e que as missões Apollo foram testes militares em plena Guerra Fria, onde a encenação do pouso do homem na Lua teria sido para mostrar ao mundo a capacidade tecnológica dos EUA diante da tão poderosa URSS, com quem dividia as conquistas daquela era espacial.

Um dos pontos dos questionamentos é justamente por que, depois de tantos prováveis sucessos obtidos nos anos 60 e 70 com missões tripuladas à Lua, teriam que começar do zero para avaliar tempo, possibilidades, manobras, comunicação e segurança de um pouso e retorno, considerando o fosso tecnológico das duas épocas. E os estudos posteriores a essa fase? E os estudos que permitiram que as sondas Voyager I (essa a 1 dia luz de distância - 25 bilhões de km) e II, que são os primeiros objetos criados pelo homem a estarem a bilhões de quilômetros, ainda enviem sinais? E as experiências dos ônibus espaciais, dos passeios soltos ao redor do planeta sem qualquer conexão com os satélites, entre outros?

Teóricos afirmam que um simples smartphone de hoje em dia tem muito mais tecnologia que as missões Apollo. Eis a questão!

Por outro lado, a gente pode pensar que as antigas missões foram extremamente corajosas, de alto risco de falhas, e que os astronautas dessas missões foram verdadeiros heróis, sendo que o principal concorrente da época nunca levou um cosmonauta a passear no satélite natural.

Gagarin, revelou a cor azul da Terra; Tereshkova, a primeira mulher cosmonauta a dar uma volta ao redor da Terra;  tristes experiências que falharam, desde a missão perdida com a cadela Laika, o astronauta esquecido no espaço, a explosão da Challenger em 1986 e, mais recentemente, testes que falharam na decolagem e no retorno de foguetes reutilizáveis. O erro faz parte das bilionárias missões.

Realmente interessante pensar a respeito disso por esse ponto de vista.

O fascínio pela Lua voltou à tona ultimamente com divulgações de imagens mais detalhadas e mais realistas, com alta resolução, revelando, inclusive, novas cores da Lua.

Considerando a viagem um evento real, a experiência vivida pelos 4 tripulantes da missão Artemis II e sua divulgação é, de fato, uma reconexão com as grandes conquistas espaciais, eventos que estavam um tanto quanto esquecidos. O apagamento do brilho do comboio da Starlink, a pedido da comunidade científica internacional, o desinteresse pela ISS por ser rápida e nem sempre visível, as descobertas do telescópio espacial James Webb reforçam um certo desinteresse geral, pois as missões adotaram uma característica mais científica, sem apelo popular, de linguagem técnica e fria, sem a emoção de participação no evento.

A missão Artemis II resgata esse olhar para a “nova Lua”, para a própria Terra e toda a logística de uma ida e volta ao espaço, onde qualquer ponto é tão crucial quanto outro, de extrema complexidade: preparação, lançamento, órbita, trajeto, o tempo de 42 minutos sem contato com a base durante o contorno da Lua, a viagem de volta, a reentrada na Terra, o mergulho no mar e o resgate.

Sabemos que muitos estudos de preparação, em breve, se tornarão novas tecnologias que farão parte da rotina. Incluindo a O2O, uma tecnologia de transmissão a laser que foi usada para enviar as imagens digitais da Lua e da Terra sem o uso de wi-fi e que promete revolucionar.

Ainda continuamos conhecendo mais do espaço do que de regiões do próprio planeta onde vivemos, por uma questão de tecnologia disponível, o que pode ser considerado uma dicotomia interessante, e não falta de interesse. O estudo de ambos fornece condições para melhores adaptações da vida aqui e das mudanças às quais estamos sujeitos em um planeta vivo.

Muito ainda vai se falar dessa missão, das fotos atualizadas do planeta visto do espaço, da especulação de quanto ganha cada astronauta, do porquê de missões com tripulação mista, dos detalhes da chegada, das muitas imagens da reentrada na atmosfera — um espetáculo à parte —, da recuperação dos astronautas e dos efeitos da falta de gravidade sobre o corpo humano, entre muitos tópicos que serão exaustivamente explorados.

A NASA também conta com uma poderosa rede de marketing que, por um bom tempo, vai deixar em segundo plano realizações da ESA, da agência espacial russa, japonesa, chinesa, das missões conjuntas, incluindo o Brasil com o retorno de atividade na base de Alcântara, no Maranhão, e demais países que, aos poucos, desenvolvem estudos espaciais, desviando o foco de muitos assuntos importantes.

Enquanto isso, a gente vai se divertindo com essa massagem no ego de que o ser humano é poderoso, que a inteligência humana permite realizações inimagináveis, que tornam a ficção científica parte do cotidiano em que somos mais que espectadores.

Nos vemos, nos lemos!

sábado, 4 de abril de 2026

Artemis, Chocolate, Guerra e Bacalhau!



Uma semana cheia se atrações e contradições. 

De um lado, uma guerra mimizenta em que as partes envolvidas ficam chorando nas redes sociais porque foram atacadas, acusando um ao outro de burlarem o acordo de guerra; fala sério, um acordo sobre o que pode e o que não pode ser usado numa guerra. Líderes com sérios problemas psiquiátricos brincando de War, com suas ações reverberando negativamente no mundo todo e querendo envolver cada vez mais gente nessa briga de péssimos condôminos que são. Haja!

O sucesso e midiatismo da viagem tripulada Artemis II, depois de décadas, reacendendo a polêmica  da validade dos investimentos em pesquisas tripuladas na Lua. As mais novas fotos da Terra vista do espaço e um balde de água fría: os tripulantes não vão pousar no satélite natural da Terra, eis aí outro ponto chave das eternas discussões de que o Homem nunca pousou na Lua e que não teriam capacidade técnica de fazê-lo agora. Uma das propostas da missão é analisar os minérios preciosos que podem haver por lá. Puro interesse especulativo. E de novo uma nova questão? Quem autoriza a extração na Lua?  Já que ela não pertence a um único país. 

Semana de Páscoa, com o tema principal do evento deixado em segundo plano e os olhos em cima do chocolate.  Pois é.  Semanas atrás, uma publicação falando de um posicionamento sobre a produção de chocolate no país com a obrigatoriedade de diminuição de gordura hidrogenada e aumento de cacau. Claro que essa prática, mais saudável, terá impacto no valor final do produto e vai dar uma freada na produção de chocolate de menor qualidade. Mesmo assim, os pontos de venda continuam oferendo ovos a preços bem altos. Compare o preço de um ovo de 200 gramas e o valor da mesma quantidade de chocolate em barra ou bombons da mesma marca. É discrepante e parece que, mesmo assim, as pessoas se deixam levar pelo modismo e comoção provocados pelo marketing emocional. E nem vamos citar o valor do principal prato dessa semana, o famoso e delicioso bacalhau. Pouca gente sabe que bacalhau é o nome de um processo para salgar e curar alguns tipos de peixes, uma prática milenar usada para fazer a carne durar mais. E esse processo é famoso por manter prontas para consumo as espécies de peixe mais utilizadas nessa ocasião (Gadus, Pollachius, Molva e Brosma),  resultado da tradição trazida por portugueses e aprimorada pelos brasileiros. 

E assim vamos!

Nos vemos, nos lemos!


quarta-feira, 25 de março de 2026

A Guerra não acabou, só mudou de forma!

 


Estamos, mais uma vez, vivendo os horrores das guerras, espectadores forçados de uma logística política e estratégias leoninas pelo poder, em nome de democracia, paz e Deus, leia-se poder e riqueza.


E ainda sofrendo direta e indiretamente com as consequências dessa demonstração de falta de argumentos , vontade e uma necessidade de mostrar o poder bélico.
Nem vou mencionar os conchavos absurdos que são feitos em apoio e uma inércia aparente das instituições internacionais de manutenção da paz que andam em ritmo inversamente proporcional à destruição causada. E vamos combinar, absurdo haver um acordo de guerra em que se define quais armas podem ser usadas?

Não faz o menor sentido lógico, inteligente. O que antes era um terror, os mísseis chamados inteligentes, que perseguíam aeronaves e certeiros em alvos fixos, hoje  são armas piores, drones,  mísseis hipersônicos,  bombas que se fragmentam em bombas menores e a temível bomba termobárica, que deixa vestígios mínimos, nem mesmo sobras humanas para que familia e amigos sepultem os corpos. Sem dizer na bomba do holocausto, já testada, chamada Tsar e outros equipamentos nucleares com poder de dizimar a vida na Terra.

Será que os "poderosos" não pensam que basta destruir metade da Terra e que isso afeta a vida deles também? Ar e água contaminados, no mínimo.


Um dos focos, na data de hoje, é o escoamento de boa parte da produção mundial de petróleo pelo estreito de Ormuz, que está em meio ao conflito e cenário de ataques a navios aliados. Cheguei a pensar e comentar: Os países riquíssimos produtores de petróleo daquela região, que amam obras faraônicas, desafios tecnológicos , arquitetura de ponta e não se importam em gastar e ostentar, ou nem sentir, bilhões de petrodólares na construção de megalópoles no deserto, ilhas artificiais, sistemas de dessanilização da água do mar entre outras megalomanias.


Bem que podiam se unir e construir um canal, a exemplo de Suez , Panamá e Kiel, cortando a península de Musandam, pelo território dos Emirados, já que Omã não tem um posicionamento político mais firme, e fazer uma rota alternativa para não passar pelo estreito de Ormuz.

Com certeza, gastarão bem menos que os países gastaram até hoje com armamento bélico.
O conflito chacoalha o mundo, que ainda depende de energia fóssil , no caso gás e petróleo, pra se movimentar.


E ainda menciono que os investimentos em energias renováveis ainda não estão de acordo com a necessidade da produção mundial e nem mesmo  de acordo com a consciência global de uso energias limpas; ainda sai caro em detrimento de políticas que não avançam favoravelmente.


O Brasil perde uma chance de um salto significativo no mercado mundial, pois tem uma produção de óleo bruto suficiente para o mercado interno e venda, mas ainda engatinha, talvez preso por negociações desfavoráveis, falta de incentivos ou outros quanto o refino do mesmo.

Ainda dependendo ainda de grandes importações, do desenrolar dos imbróglios políticos externos, como se a realidade fosse um enorme tabuleiro do velho jogo War. E com a extensão territorial do Brasil , parece não haver grandes incentivos e realizações de parques eólicos e de energia solar em grandea escalas, apenas pequenas implantações aqui e ali.


Até quando? Não sabemos.


Mas voltando à lógica ilógica da guerra , chega a ser inadmissível que exista, acordos e apoios prós, independe do tamanho de conflito que exista, seja ele midiático como E.U. com Irã, Rússia com Ucrânia,  conflitos políticos, religiosos , econômicos, conflitos híbridos, disputa de recursos, insurgências, guerras civis que encontram campos de batalha em vários locais do mundo nesse exato momento. Sejam guerras espetaculosas, mostrando mísseis riscando o céu, contra ataques dos sistemas de proteção antiaéreo, da infelicidade de ver cidades dizimadas, vidas atingidas diretamente,  história da humanidade dilacerada, locais sendo destruídos, memórias apagadas, sejam conflitos pela conquista de uma vida mais digna.


O mundo continua fragmentado nesses conflitos  simultâneos, alguns midiáticos e outros invisíveis. 

Até a guerra tem seu marketing de divulgação.
E assim caminha a Humanidade !


Nos vemos, nos lemos!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Orelha & Nina

 


Dois casos semelhantes separados por mais de 1000km de distância.

Enquanto a cadela Orelha, adotada pela comunidade da Praia Brava em Florianópolis, era impiedosamente agredida e morta por 4 fedelhos manezinhos mimados e mal criados, filhos da alta sociedade Florianopolitana, em Lorena, no Vale do Paraíba paulista, Nina, outra cachorra de rua, adotada por frentistas de um posto do centro da cidade , era igual e covardemente agredida por um motociclista que desferiu chutes em sua barriga, fazendo com que necessitasse de uma cirurgia.

Logo, o caso de Florianópolis ganhou repercussão nacional, com intervenção de políticos da capital catarinense no caso e a exposição dos agressores com fotos e nomes nas redes sociais, bem como dos estabelecimentos comerciais pertencente às suas famílias, com pedidos de boicote, incluindo um hotel de renome da cidade.

Enquanto isso, numa escala menor, os frentistas do posto de combustível em Lorena,  fizeram uma rifa para cobrir os custos dos cuidados com Nina, com um significativo sucesso. Uma rifa de preço popular com premiação de 100 litros de combustível para o vencedor, que não chegou a estampar grandes mídias, mas mobilizou a sociedade local. Diferente de outros muitos casos que passam despercebidos e sem projeção, esse tipo de crime contra animais vem aumentando e ganhando mídia. Quem não se lembra do caso do cavalo que teve as patas amputadas pelo seu dono em Bananal, no fundo do Vale Histórico?

Na mesma velocidade, o caso de Orelha, a cachorra de Florianópolis, ganhou mais destaque nas mídias e até projeção internacional.  Os autores estão sendo mantidos cristalizados a sete chaves por suas famílias, com medo de retaliações. Alguns deles com a premiação de uma viagem ao exterior para esperar a poeira baixar e agora surge a denúncia de coação às testemunhas do caso. Mas a lei há de prevalecer e os responsáveis responsabilizados pela brutalidade. Enquanto isso, espera-se que se identifique o motociclista de Lorena para igual ação da lei.

Especialistas em comportamento humano alertam para esses sinais de psicopatia que se desenvolvem nas pessoas e que essas atrocidades são experimentadas em animais antes de serem experimentadas em humanos, considerando alguma impunidade e aumentando a vulnerabilidade de pessoas diante de casos como esse.

O assunto é sério. Não são apenas  casos pontuais,  isolados, de violência contra dois animais de ruas, dóceis, adotados, que viraram objeto de descarrego de ira alheia e sim, mostra o quão doente as pessoas andam e  o quanto nossa sociedade padece e tem que conviver com isso. Não se deve normalizar a atitude cruel do motociclista e nem o sadismo de uma ação de um grupo de moleques mimados, mal criados e sem noção. Essas pessoas estão doentes e precisam, além da punição pelos crimes cometidos, de tratamento profissional para evitar que amanhã, outros animais ou mesmo pessoas do convívio  sejam manchetes, vítimas de outros crimes hediondos. 

*atualizando: como se não bastasse, mais uma notícia envolvendo maus tratos. Em Igarapava, no interior de SP, um homem arrasta por 7km, até a morte, uma cadela prenhe de 10 filhotes que estava amarrada no para-choque de seu veículo. E o mais triste, o agressor passou por audiência de custódia e aguarda o processo em liberdade. Até quando?

Nos vemos, nos lemos!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Censura disfarçada de Projeto!

imagem de IA


 

O que está em debate aqui não é proteção da infância,  é a censura.

E censura, na história do Brasil, nunca foi sobre moralidade, sempre foi sobre poder.

Toda vez que um governo ou um grupo tenta controlar a arte usando o discurso da “sexualização”, o resultado é o mesmo: perseguição política, silenciamento e medo.

Nós já vimos isso e, mais uma vez, a roda da história se repete.

Vimos quando o samba era chamado de indecente, o candomblé era criminalizado, o indígena era preguiçoso, o hiphop coisa de bandido, etc .

Vimos quando artistas, escritores e professores foram perseguidos na Ditadura sob o pretexto de proteger a família brasileira.

O Brasil já tem leis para proteger nossas crianças, tem classificação indicativa, tem o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O que falta não é legislação , o que falta é honestidade. O que falta é fiscalização! Se não me engano vereadores são "fiscais da população que representam".

Esse tipo de projeto não protege ninguém.

Ele apenas cria um instrumento para que qualquer produção cultural seja punida quando não agrada a um grupo político ou ideológico específico e como cortina de fumaça pra outras temerosas transações. Fiquemos atentos aos bastidores.

Quem decide o que é “sexualização”? Quais parâmetros? O que julga? Quem julga: um político, um comitê, uma igreja? Quem se responsabiliza?

Quem garante que essa lei não será usada para perseguir artistas negros, indígenas, LGBTQIA+, mulheres e outras minorias como aconteceu tantas vezes na nossa história?

A cultura é trabalho, é educação, é identidade, é memória, preservação da memória (material e imaterial). Ela não é inimiga!

A cultura  existe porque o povo existe!

O nosso papel aqui não é censurar, é garantir direitos, proteger a diversidade e fortalecer a democracia.

Produções culturais criam impacto econômico.

Censura gera insegurança jurídica: afugenta patrocinadores e destrói a economia criativa local . E isso é péssimo pro turismo, que parece ser a bola da vez. Quanta desconformidade de pensamente, não?

Por isso, eu me posiciono contra este projeto.

Porque um país que cala seus artistas está calando sua própria consciência, sua identidade, sua voz.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Artistas Negros e nossa Identidade Cultural



...que ao longo da História, artistas negros desempenharam papéis cruciais na formação da nossa identidade cultural?

Mas que, pelo racismo estrutural e a exclusão social resultaram no apagamento sistemático de suas contribuições?

Do barroco mineiro às raízes do samba, da capoeira às modinhas, das contações de histórias à literatura, do imaterial ao material, das manifestações religiosas às tradições passando pelo sincretismo eles foram protagonistas na construção de expressões artísticas que definem o país. 

Muitos artistas negros tiveram suas obras atribuídas a outros ou sequer puderam assinar suas criações.

Mestres como Aleijadinho foram reconhecidos, mas sua origem negra foi minimizada por muito tempo.

Outros, como Domingos Caldas Barbosa, precursor do lundu, e Mestre Valentim, arquiteto do Rio de Janeiro colonial, são pouco lembrados.

Ruth de Souza, Luis Gama, Abdias do Nascimento, Milton Santos, Tia Ciata, Conceição Evaristo, Alfredo Gomes, Mario Américo, Aída dos Santos, entre outros tantos nomes de várias épocas de uma lista enorme.

Esse apagamento cultural não é apenas uma injustiça histórica, mas um empobrecimento da memória coletiva. Felizmente, esforços contemporâneos (ainda poucos) como exposições, documentários e pesquisas acadêmicas, têm resgatado essas histórias.

Reconhecer e valorizar o legado negro na cultura brasileira é essencial para construir uma sociedade mais justa e plural.

Resgatar esses nomes é um ato de resistência, de reparação histórica, uma necessidade educacional, de formação e informação.

Afinal, o Brasil só será plenamente compreendido quando sua verdadeira história for contada, com todos os que a moldaram.


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Fontes: O Pharol, UFPG, Brasil de Fato, Museu Afro Brasil, Correio Braziliense, ChatGPT