Sem dúvidas, a manchete dessa semana é o sucesso da missão Artemis II, que levou 4 astronautas ao ponto mais distante já alcançado pelo homem no espaço, dando uma volta ao redor da Lua, registrando e revelando seu lado oculto, testemunhando um eclipse solar e reforçando a beleza da Terra vista do espaço.
Uma missão que foi usada para testes de uma nova viagem tripulada à Lua, prometida para os próximos anos, onde o homem vai tocar novamente o solo lunar, após mais de 50 anos da última caminhada de um astronauta no satélite natural do planeta Terra. Uma missão oficialmente divulgada como teste de sistemas tripulados, teste de manobras manuais, teste do sistema de comunicação a laser com otimização de velocidade, validação e resgate de recuperação, sobrevoo de observação, avaliação de radiação em ambientes hostis, testes de hardware e outras pequenas missões, como consertar o vaso sanitário milionário a bordo, um dos pequenos percalços enfrentados pela tripulação.
Teorias da conspiração em ação afirmam que uma das missões secretas era fazer estudos de imagem do solo lunar em busca de água e metais preciosos escassos no planeta Terra e, quem sabe, a instalação de uma futura base lunar de extração.
Outros teóricos mais radicais questionam que essa missão não é um retorno à Lua, porque não houve pouso, e reacendem uma polêmica acatada por um considerável percentual da população mundial de que o homem nunca pisou lá e que as missões Apollo foram testes militares em plena Guerra Fria, onde a encenação do pouso do homem na Lua teria sido para mostrar ao mundo a capacidade tecnológica dos EUA diante da tão poderosa URSS, com quem dividia as conquistas daquela era espacial.
Um dos pontos dos questionamentos é justamente por que, depois de tantos prováveis sucessos obtidos nos anos 60 e 70 com missões tripuladas à Lua, teriam que começar do zero para avaliar tempo, possibilidades, manobras, comunicação e segurança de um pouso e retorno, considerando o fosso tecnológico das duas épocas. E os estudos posteriores a essa fase? E os estudos que permitiram que as sondas Voyager I e II, que são os primeiros objetos criados pelo homem a estarem a bilhões de quilômetros, ainda enviem sinais? E as experiências dos ônibus espaciais, dos passeios soltos ao redor do planeta sem qualquer conexão com os satélites, entre outros?
Teóricos afirmam que um simples smartphone de hoje em dia tem muito mais tecnologia que as missões Apollo. Eis a questão!
Por outro lado, a gente pode pensar que as antigas missões foram extremamente corajosas, de alto risco de falhas, e que os astronautas dessas missões foram verdadeiros heróis, sendo que o principal concorrente da época nunca levou um cosmonauta a passear no satélite natural.
Gagarin, revelou a cor azul da Terra; Tereshkova, a primeira mulher cosmonauta a dar uma volta ao redor da Terra; tristes experiências que falharam, desde a missão perdida com a cadela Laika, o astronauta esquecido no espaço, a explosão da Challenger em 1986 e, mais recentemente, testes que falharam na decolagem e no retorno de foguetes reutilizáveis. O erro faz parte das bilionárias missões.
Realmente interessante pensar a respeito disso por esse ponto de vista.
O fascínio pela Lua voltou à tona ultimamente com divulgações de imagens mais detalhadas e mais realistas, com alta resolução, revelando, inclusive, novas cores da Lua.
Considerando a viagem um evento real, a experiência vivida pelos 4 tripulantes da missão Artemis II e sua divulgação é, de fato, uma reconexão com as grandes conquistas espaciais, eventos que estavam um tanto quanto esquecidos. O apagamento do brilho do comboio da Starlink, a pedido da comunidade científica internacional, o desinteresse pela ISS por ser rápida e nem sempre visível, as descobertas do telescópio espacial James Webb reforçam um certo desinteresse geral, pois as missões adotaram uma característica mais científica, sem apelo popular, de linguagem técnica e fria, sem a emoção de participação no evento.
A missão Artemis II resgata esse olhar para a “nova Lua”, para a própria Terra e toda a logística de uma ida e volta ao espaço, onde qualquer ponto é tão crucial quanto outro, de extrema complexidade: preparação, lançamento, órbita, trajeto, o tempo de 42 minutos sem contato com a base durante o contorno da Lua, a viagem de volta, a reentrada na Terra, o mergulho no mar e o resgate.
Sabemos que muitos estudos de preparação, em breve, se tornarão novas tecnologias que farão parte da rotina.
Ainda continuamos conhecendo mais do espaço do que de regiões do próprio planeta onde vivemos, por uma questão de tecnologia disponível, o que pode ser considerado uma dicotomia interessante, e não falta de interesse. O estudo de ambos fornece condições para melhores adaptações da vida aqui e das mudanças às quais estamos sujeitos em um planeta vivo.
Muito ainda vai se falar dessa missão, das fotos atualizadas do planeta visto do espaço, da especulação de quanto ganha cada astronauta, do porquê de missões com tripulação mista, dos detalhes da chegada, das muitas imagens da reentrada na atmosfera — um espetáculo à parte —, da recuperação dos astronautas e dos efeitos da falta de gravidade sobre o corpo humano, entre muitos tópicos que serão exaustivamente explorados.
A NASA também conta com uma poderosa rede de marketing que, por um bom tempo, vai deixar em segundo plano realizações da ESA, da agência espacial russa, japonesa, chinesa, das missões conjuntas, incluindo o Brasil com o retorno de atividade na base de Alcântara, no Maranhão, e demais países que, aos poucos, desenvolvem estudos espaciais, desviando o foco de muitos assuntos importantes.
Enquanto isso, a gente vai se divertindo com essa massagem no ego de que o ser humano é poderoso, que a inteligência humana permite realizações inimagináveis, que tornam a ficção científica parte do cotidiano em que somos mais que espectadores.
Nos vemos, nos lemos!

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Política de moderação de comentários
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.