quinta-feira, 26 de março de 2015

Dr. Jackyll e Mr. Hyde*







Não é de hoje que ouço falar que não há investimento pesado em cultura e educação para poder domar a massa da população. Quanto mais acéfalo ou sem argumentos para discussão, melhor é para a tirania (seja ela em que grau for). No meu ponto de vista, cultura e educação estão atreladas por laços fraternos, um caso siamês de uma completa relação de afinidades onde um alimenta o outro fazendo com que a roda gire auto suficientemente.
Travar a educação pode gerar indivíduos sem a ciência das contas, de algumas análises, de acessos, limitando-os a parcos recursos e limitadas perspectivas de crescimento da educação institucional. Isso não tira o conhecimento adquirido no dia a dia, a visão de mundo e das relações que se estabelecem nele, o empirismo. Isso gera o indivíduo ignorante, sem o conhecimento de algo, limitado de algumas visões.
A cultura é o resultado obtido de ações desses indivíduos, sozinhos ou em grupo. Ações essas que se manifestam no que chamamos de atividade artística, seja em forma de poesia, com rimas simples e outras formas de literatura, dança, música, desenhos, manifestações culturais, entre outras atividades que são exercidas por esses cidadãos e que refletem a maneira como esse grupo reage a tudo de bom e de ruim que os afeta, de acordo com seu grau de interpretação do mundo e das coisas que o cercam. Ações que permanecem, que são transmitidas de geração a geração, tornando-se tradição, até que um novo olhar permita a mudança daquela manifestação. Mesmo com a chamada “ignorância acadêmica” a cultura popular permite não se prender ao tradicionalismo, por mais tempo que a mudança possa levar para acontecer.
De fato, o povo não é burro e tem o calo dolorido. Se a chamada “massa” não está devidamente instruída de algo ou não tem interesse ou conhecimento político (podemos dizer que por falta de exemplos) não se deve esperar dela que tenha um comportamento adequado às situações a que é submetida. Não se pode esperar o comportamento de um lorde de quem é criado como animal selvagem. O choque sempre vai acontecer. Não é o que se espera de uma sociedade tida como civilizada.
A separação intelectual proposta para um povo sem conhecimento gera essa torre de babel e que, em momentos inflamados, é como jogar gasolina na fogueira. Daí há uma inversão de valores não? Aquele que se diz elitizado ou mesmo politizado, como se estivesse sob uma redoma, não consegue entender as razões pelas quais a grande massa revida, por achar uma ação pouco ou nada diplomata. Oras, mas foram eles mesmos que criaram isso... Uma relação médico e monstro*. E ainda se esquecem fazem parte do povo.
O que não se tira é a manifestação e a criação cultural de um povo, por mais hostilizado que esse povo seja. A criação é espontânea, é livre, é montada dentro dos limites individuais de conhecimento do seu idioma, do cotidiano, religiosidade, política, de suas limitações físicas para atividades com o corpo, onde se usa os poucos recursos que venham a colaborar com a mensagem a ser impressa. Por isso da repetição. Não é pobreza cultural, é limitação de uma base desinformada, esteja ela num feudo medieval tirano ou na mais civilizada das democracias, seja na anarquia ou na ditadura.
A relação cultura/educação está aí se alimentando e se mantendo independente do cenário. Quanto mais pobre for a educação, mais modesta é a manifestação cultural. Aqui, modéstia não é significado de pobreza e sim falta de alguns recursos.
Por isso que hoje, em outro cenário político, distante de muita coisa e perto de outras impensáveis que vêm sendo publicadas é que não é justo que os poucos recursos destinados à cultura e à educação sejam cancelados. Por menores que sejam, são fortes contribuintes de formação de público, do fazer pensar, de fomentar a criação de muitos outros grupos desses artistas (penso que o educador seja um artista também) seres pensantes e que encontraram uma forma de traduzir um olhar sobre algo e de se fazer compreendido. Eis a mágica! Atrelado à educação, faz fluir mais facilmente esse pensamento e o promover o entendimento coletivo, propondo discussões até se chegar a um denominador comum benéfico a todos, sem distinção.
“A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte....”
Não sou favorável da retirada ou redução de recursos passados para a cultura, por saber que esses alimentam uma rede de profissionais que têm em mente a continuidade do processo coletivo de educação do povo através das ações culturais, não importa a linguagem utilizada. Recursos que são usados para gerenciar atrações, que permitem que profissionais exerçam suas atividades, muitas delas atividades específicas, que fazem parte do “mundo das artes”. Recursos que permitem que essas atividades possam ir aos mais distintos grupos sociais, disseminando o saber olhar e entender do modo de ser e agir de nós mesmos, fazendo com que aprendamos a tirar as rédeas, marcas e amarras sem ficar à deriva. Sem ficar à margem do que acontece em outras esferas que nos atingem diretamente. Proponho uma grande mesa, redonda, para conversarmos, de igual para igual.
Nos vemos, nos lemos!


imagens:http://jornalistaflavioazevedo.blogspot.com.br

sábado, 14 de março de 2015

Vem aí, cenas dos próximos capítulos!


Que as novelas são uma unanimidade, ou pelo menos contam com apoio de muito mais de 50% da população, isso lá é verdade! Não há quem nunca tenha esticado o olho sobre uma cena, um fato, o último capítulo. Há quem desdenhe, quem critique, quem abomine os folhetins e há também aqueles que marcam seu relógio noturno com o antes e o depois das novelas. As redes brasileiras se especializaram nesse modo de entretenimento e fizeram dele um filão lucrativo com as exportações de muitas novelas e com histórias que deixam marcas no cotidiano das pessoas.

Quem matou Salomão Ayala? Quem matou Odete Rotmann ? O encontro dos gêmeos Quinzinho e João Vitor, Ruth e Raquel, os segredos desvendados, as peripécias mirabolantes, o sotaque "nordestês" das novelas. A escalada de Gabriela no telhado atrás de pipa, o vôo de Zelão e a explosão da Dona Redonda em Saramandaia. O Cadeirudo de Greenville, a beleza de Açucena de Tropicaliente, o beijo gay de Félix e Niko em Amor à Vida. O sofrimento da Escrava Isaura, as pudicas irmãs Cajazeiras de O Bem Amado, entre tantos outros assuntos que surgiram com os folhetins que se tornaram temas de discussão nacional, que viraram um alerta à uma situação sem solução, descasos, tabus, entre tantos outros.
Dramatizações de contos literários famosos ou literatura de linguagem moderna. Não posso deixar de falar dos bordões que tomaram conta do País, mesmo que sazonalmente, "estou certo ou estou errado?"
Seja novela de época, seja contemporânea,  retratando problemas e situações atuais, seja escrachando na sátira como em Que Rei Sou Eu, seja mostrando a sujeira debaixo do tapete como em Vale Tudo. Sem dizer na invasão mexicana e na criação de departamentos de teledramaturgia de outros canais.
A telenovela, sem dúvida, é parte do dia a dia dos brasileiros.
Ganhou mídia, alimentou profissões, gerou muito dinheiro com os merchans embutidos direta ou indiretamente.
Porém a obra dos autores, no meu ponto de vista, não é 100% respeitada.
Qualquer navegador da internet mostra em suas páginas iniciais os resumos semanais das novelas. Com isso e a grande repercussão dos links compartilhados em redes sociais a surpresa se acaba, o final ou algum desfecho é revelado antecipadamente com muito alarde, deixando tudo sem graça. Assuntos que alimentam horas intermináveis de programas de emissoras concorrentes completam o serviço acabando de vez com o grande barato de assistir algo sem saber o que vai acontecer pela frente.
Como disse, a obra do autor não é respeitada. Não vou julgar o método literário dos autores, mas sim o trabalho de quem escreve páginas e páginas de textos, um emaranhado de situações, ligações de assuntos e correlações de fatos, temperando e fazendo com que a trama rode. Isso é trabalho, essa é a obra!
No meu ponto de vista, deveria ser proibida a divulgação antecipada de resumos ou sinopses de telenovelas. Sem querer parecer opressor ou contrário à liberdade de expressão. Não é isso, imaginem se os divulgadores de sinopses ou sites especializados em novela, filmes e afins começassem a publicar o final de um grande lançamento do cinema mundial?? Ou daquele filme que ganhou um prêmio internacional cobiçado??? Imaginem se uma publicação fala do trunfo de uma grande peça de teatro antes da estreia, se conta o grand finale de um mega espetáculo horas antes do início. De fato é desagradável. Há quem seja leitor assíduo dessas colunas e publicações, mas há quem preze e curta muito ser expectador, com direito à surpresa, ao susto, ao espanto, ao riso frouxo, às reações espontâneas, sinceras. Isso também deve ser respeitado!
Nos vemos, nos lemos!


*Imagem Google: Freepik

quinta-feira, 12 de março de 2015

Brincar de Viver!

A gigante Google lançou, através de sua divisão Google Ventures (que investe pesado em pesquisas sobre o estudo e combate ao câncer) uma proposta e já um estudo em andamento para a criação de uma tecnologia que venha a fazer um mapeamento do organismo humano com intenção de prever o surgimento de células cancerígenas e, dessa forma, prolongar a vida humana. Se parasse por aí seria fantástico, ainda mais que o propósito com base nesses estudos de fazer da quimioterapia um procedimento tão arcaico quanto o uso do ábaco para se fazer contas. A Inteligência humano é prá isso mesmo.

Porém, o texto continua e fala que esses e outros investimentos possam prolongar a vida humana em até 500, isso mesmo, QUINHENTOS anos. Deveria se chamar Projeto Highlander. O presidente sócio administrativo da divisão garante que é possível.
Particularmente, eu não queria viver 500 anos, mesmo que o meu físico e intelecto fosse de uma pessoa saudável de 80. É muita coisa, é muita deterioração prá máquina humana.
Vamos juntar a hipótese e uma realidade. Na atual crise hídrica, considerando que as fontes sequem e que o futuro do fornecimento de água num futuro próximo seja algo cada vez mais restrito e escasso, há de se pensar os danos que isso cause nos organismos vivos. Se é um organismo que já nasceu num cenário e numa realidade de falta de água, pode ser que seja um novo organismo habituado, porém, imaginem um outro organismo que tenha vivido, por exemplo, uns 35 anos onde a realidade da água seja aquele que estamos acostumado e que venha prolongar seu tempo e ter que alterar sua condição à realidade proposta? É claro que isso gera algo, algum problema. Estaria essa tecnologia pronta para isso também? – Isso é coisa da minha cabeça.
Os investimentos custeiam estudos no aprimoramento de células-tronco, engenharia genética e desenvolvimentos de start ups e aplicativos com direção ao bem estar com auxílio de médicos contratados, segundo a matéria, de forma a criar um conjunto de possibilidades de manutenção da qualidade de vida. Isso envolve alimentação, condições climáticas, sociais, culturais e outras tantas favoráveis, tratamento de outras doenças tão comuns à espécie humana, mutação de vírus, erradicação de doenças, controle de vacinação em massa, enfim, amplo domínio da área de cuidados e por parte da população, total colaboração, entendimento, discernimento para que seja possível.
Temos que pensar que a provável longevidade provoca ao planeta  com uma provável superpopulação e o uso dos recursos naturais e sua renovação de forma a atender à demanda.
Há de se cuidar como um todo: alimentos, qualidade de ar, trabalho, recursos, cuidados, água, medicamentos, estudo, lazer. Tem muita coisa pra se fazer em 500 anos.
Independentemente do resultado desse investimento a longo ou curto prazo, estou falando de um dos sonhos do ser humano, o da longevidade.
Se não existe a fonte da juventude, investe-se em pesquisas para prolongar o tempo de vida com qualidade, no mais amplo sentido da palavra.
Muitas outras possibilidades podem acontecer e mudar o cenário do planeta e mesmo interferir  na perpetuação da espécie humana. De repente, essa possibilidade seja possível em um novo mundo habitado pelos terráqueos.
Se a proposta é promover, inicialmente, o bem estar do ser humano, está valendo!
Vida longa e próspera!

Nos vemos, nos lemos!








*imagem Google: Ilustração da saudação dos vulcanianos (Vida longa e próspera), da série de tv Jornada nas Estrelas, imortalizada pelo Dr Spock, interpretado pelo ator Leonard Nimoy, falecido recentemente.

terça-feira, 10 de março de 2015

Asas maiores!

Li a respeito da AirBus pensar em dar continuidade à reformulação do A380, o maior avião de passageiros do mundo, com capacidade para transportar até 500 passageiros mais cargas de uma só vez.
Não vou entrar no mérito de itens técnicos por puro desconhecimento, mas é sabido que a criação e reformulação de aeronaves modernas consome bilhões de dólares, anos de estudo e ainda precisa ter uma luz no fim do túnel em possíveis clientes ávidos pelos novos aviões em suas frotas. Não é uma aquisição barata, falamos aí da casa de milhões de dólares. Algumas companhias aéreas com poder de caixa ostentam algumas dessas aeronaves gigantes em suas frotas como a rica Emirates (Emirados Árabes), Turkish Airlines (Turquia), Malaysia Airlines (Malásia) e creio que ainda tenha a Qantas Airlines (Austrália) entre outras poucas.
Ainda em se falando de empresas que fabricam aeronaves grandes, porém menores que o A380, temos a concorrente Boeing (americana), a própria Airbus (francesa) com suas aeronaves com capacidade menores e que estão entre as mais utilizadas no mundo. Muito provável que você tenha voado numa dessas, mesmo no Brasil, com a TAM, com equipamentos da família A300. A Gol utiliza equipamentos da Boeing e a Azul de aeronaves brazucas como Embraer 190, 195 e outros modelos e variantes. As saudosas Varig e Vasp tinham em suas frotas aeronaves da Boeing em diversas versões, anos e tamanhos. As companhias aéreas regionais brasileiras também com aeronaves de outros fabricantes ou modelos das mesmas empresas citadas, desde o frágil Caravelle com 12 lugares até o Brasília da Embraer, turbo hélice (era comum na rota São José dos Campos – Rio de Janeiro).
Investimentos milionários em equipes altamente especializadas e tecnologia de ponta são práticas comuns nas grandes, vamos chamar, montadoras mundo afora. O processo de criação passa por um rigoroso e criterioso estudo de engenharia em que se busca aliar o uso de tecnologia de ponta ao conforto e a produção de equipamentos mais econômicos e com maiores autonomias, não só de vôo, mas de autonomia enquanto uma máquina inteligente, capaz de sanar matematicamente em tempo recorde, quaisquer problemas que possam causar prejuízos ao rendimento da aeronave ou algum desconforto aos passageiros e ou tripulantes.
Claro que quando se fala em aeronaves, a mente humana direciona o pensamento aos acidentes aéreos, que são eventos catastróficos, trágicos e que afetam diretamente um grupo grande de indivíduos. Muitos acidentes ficaram famosos e até mesmo sem resposta, envolvendo o assunto numa atmosfera de mistério. Podemos citar os casos de aeronaves perdidas sobre o triângulo das Bermudas (pequeno arquipélago britânico ultramarino em frente à costa leste norte americana) até o desaparecimento sem pistas nem rastros do vôo MH370, passando por outros decorrentes de falhas humanas ou originados por forças da natureza.
Por isso, a questão segurança é levada até último grau de cuidados e preocupação nessas empresas montadoras, que se utilizam de horas de estudos, ensaios e testes, a fim de alcançarem um modelo, que façam das modernas aeronaves, cada vez mais confiáveis e seguras. De fato, avião é o meio de transporte mais seguro que existe, mesmo sendo uma máquina muito mais pesada que o ar que vence a barreira da gravidade por força dos seus motores e consegue levantar voo. Um exemplo disso são os gigantescos cargueiros; a Aeroflot (russa) ainda possui os maiores e mais pesados do mundo (uma vez vi um gigante com 32 rodas nos conjuntos dos trens de pouso) que transportava partes de outras aeronaves menores.
Por outro lado, desde a última crise mundial, em que as companhias aéreas sentiram sensivelmente seus bolsos afetados, criou-se uma opção de adoção de jatos menores, mais baratos, com uma manutenção proporcional ao custo e que pudesse fazer chegar ao cliente final (passageiro) um produto com valor mais acessível, com redução do preço de passagens aéreas e possibilidades de maiores promoções. Isso no âmbito geral, sem falar das crises internas de cada região do mundo. Foi uma fórmula de driblar a crise, mesmo cabendo à essas companhias aéreas o gasto com novas aeronaves mais modernas, menores e com maior autonomia.
Portanto, a retomada de aviões gigantes por conta de companhias aéreas, que ainda possuem novos jatos menores, é pensada e repensada pra fazer valer a relação custo/benefício. Não adianta ter o produto se não há mercado consumidor imediato. O mundo está globalizado e a utilização de aviões muito pouco provável deixará de existir e, portanto, investimentos e melhorias significativas acontecerão nesse mercado, seja de grande aeronaves, seja em jatos menores. O sonho de encurtar caminhos permanece até que um outro modo de transpor distâncias torne-se realidade. Para isso acontecer, é necessário dar tempo ao tempo e ao desenvolvimento humano até lá. Enquanto isso, apertem os cintos e boa viagem!
Nos vemos, nos lemos!



*imagem Google: AirBus A380 - www.airbus.com


sábado, 7 de março de 2015

Tem jeito!!




Escrevo aqui a minha opinião, independente do que acho da atual política, até mesmo porque não tenho um partido, voto em pessoas e em seus trabalhos e projetos e não acompanho a política de maneira tão próxima. Acho que a nossa democracia é condescendente em demasia. Não há necessidade de tantos partidos políticos, que essa é uma manobra para galgar mais rapidamente os degraus para alcançar um "pseudo" poder e um lugar ao sol, de favorecer coligações e conseguir meios de se estabelecer como um partido. Não sou expert em ciência política e luto para entender e ficar longe da ignorância e analfabetismo político, mas confesso que é preciso uma boa dose de sabe lá o que para aguentar e engolir certas coisas.


Há dias, a divulgação de uma certa lista com nomes de políticos envolvidos em esquemas de corrupção vem alimentando a curiosidade do povo e da imprensa, gerando especulações e palpites dos mais diversos em relação a esse ou aquele indivíduo político do cenário do nosso país.  A tal lista, enfim, é divulgada e engloba nomes conhecidos, vultos importantes para nossa história e não poupa legendas, independentemente da quantidade de pessoas envolvidas por sigla.
A questão não é essa, não é julgar quem tem mais culpado em seu staff. A questão é o exercício desse câncer chamado corrupção, que envergonha a todos sem distinção, que nos deixa perplexos e sem ação (momentânea) e até mesmo incrédulos. Se relembrarmos momentos antes dessa divulgação, podemos encontrar o roto falando do esfarrapado, elucubrações sem fundamentos, um "descaratismo" como diria o personagem Odorico Paraguaçu (personagem político corrupto de Dias Gomes), que penso eu, não poderia imaginar ver sua figura personalizada em políticos reais, pessoas que dirigem a nave chamada Brasil. O problema é a institucionalização do ato de ser corrupto.
E isso deveria ser de fato considerado e tratado como crime, com punições rápidas e severas, com interdição imediata do exercício de ser político, cassação, obrigatoriedade da devolução de dinheiro e bens roubados ou desviados, suspensão das atividades alimentadas ou financiadas pela corrupção, até que se prove o contrário. O modelo do ser político deveria ser repensado. Aquela pessoa não foi convocada a estar lá para ser o representante do povo. Essa pessoa se dispôs a entrar num pleito, de concorrer ao cargo, trabalhou honesta e verdadeiramente (espera-se) para isso. Para trabalhar por melhorias gerais, comuns a todos, de facilitar umas coisas, de mudar outras, atualizar as ultrapassadas, de promover o bem estar educacional, cultural, social, penal, econômico, trabalhista  e de outras esferas para que a população possa ter uma vida mais digna, com regras que mantenham a sociedade em ordem, em que se promova o bem estar com melhores acessos aos serviços que o sistema dispõe, direito à cidadania plena e, dessa forma, permitir que o país se desenvolva, que crie possibilidades e perspectivas de crescimento e desenvolvimento humano, de se tornar exemplo, de ser verdadeiramente soberano, de ser justo, de ser um país adulto, sério, de respeito.
A lista de indignação também é grande. Propostas mirabolantes de virada da situação são disseminadas a todo instante. Algumas absurdamente equivocadas que beiram à barbárie. A cegueira é geral e o risco de tumultos não está longe. Não se pode perder as rédeas, perder a razão em hipótese nenhuma. Andar pra trás não é progresso. E até modelos de freios dessa situação são ventilados como se fossem a salvação da lavoura, mas são infundadas, com mais toscos atos desrespeitosos aos direitos do cidadão. Não é a hora do olho por olho. Isso já foi. A Idade Média, nesse modo de pensar, faz parte do lado negro da história da humanidade, não se queimam mais as bruxas; mas elas existem!
O câncer da corrupção tem tumores do mais diversos tamanhos, desde  a metástase de rombos bilionários de esquemas de favorecimento e enriquecimento ilícito até o pólipos do dia a dia do mortais cidadãos comuns. Os pequenos gestos e atos de corrupção são culturalmente exercitados por nós mesmos. Está no arredondamento de preços pra facilitar o troco, a troca de favores para pessoas mais próximas, na "lei de Gerson" em se levar vantagem em alguma situação, no favorecimento em troca de pequenos lucros ou serviços, em pequenas propinas para se conseguir algo, no roubo de sinais de tv, telefonia, sinais wifi, compra de produtos falsificados, colar em provas ou copiar trabalhos e tarefas, assinar o ponto do trabalho ou escola, falsificar assinaturas e documentos, comprar atestados para justificar ausência do trabalho ou outro, furar fila, desrespeito aos valores, entre tantas outras ações que achamos comuns ou para as quais encontramos justificativas que passam despercebidas, disfarçadas do famigerado "jeitinho brasileiro". Não fazer festa com o chapéu dos outros. Não precisamos nos transformar em robôs ou perder a graça de ser esse povo gentil, amigável. Precisamos aprender a ter respeito próprio antes de tudo e saber perceber que algo não está certo, mesma que seja o reconhecimento de um ato equivocado. Se isso acontecesse, não geraríamos alguns defensores de atitudes monstruosas que ferem a dignidade de uma Nação. Acho que se mudarmos o jeito de pensar, podemos sim, mesmo que a longo prazo, ter mais consciência de cidadania e banirmos os favoritismos da classe que gerencia nossas vidas. Acredito que com isso enraizado, a função do ser político seria outra, com foco nas melhorias de desenvolvimento humano e de fortalecimento da soberania nacional e, naturalmente, as regalias não fariam parte da cristalização do individuo que ocupa essa ou aquela posição. Seria ele um funcionário representante do povo (nós) com um salário compatível com a responsabilidade de seu cargo, e com benefícios comuns aos demais trabalhadores do país, regidos por uma séria lei trabalhista, com a função única e exclusiva de trabalhar pelo bem comum. Sem regalias, sem favoritismos, com responsabilidades, direitos e deveres passíveis de punição e meritocracia quando necessários. Precisamos de evolução! Antes que seja muito tarde! Vamos deixar o cenário apocalíptico e acéfalo para a ficção!

Nos vemos, nos lemos!



* Imagem Google: Luz no fim do túnel!