domingo, 1 de novembro de 2026

Halloween Tupiniquim

 

imagem gerada por IA

Não que eu seja contra o Halloween. Quem sou eu pra ser contra a tradição de um povo?

Muito pelo contrário, sou favorável às manifestações de cada povo pra celebrar suas tradições: seja no Carnaval, Dia dos Mortos, Halloween, entre muitas outras datas que identificam um povo ou um país.

Aliás, culturalmente, com o passar dos anos é natural que uma cultura influencie a outra, que elementos se fundam, que adaptações sejam feitas, assim como o próprio halloween.

Minha defesa aqui é no sentido da importância que é dada a eventos externos quando temos uma vasta riqueza nacional que é deixada em segundo plano, minimizada. E nem vou entrar mais a fundo no quesito Síndrome de Vira-Latas.

O Halloween, tradição celta e de outros povos cristãos  marcava o fim das lavouras com a chegada do inverno rigoroso no hemisfério norte, trazia consigo a realidade de dias mais curtos e mais frios, sem possibilidade de cultivo, noites mais longas quanto mais setentrional fosse a região e, com elas, todos os medos coletivos, embutidos e transmitidos naquelas sociedades, ora como ato de preservação da vida, ora como prevalência de uma ordem de domínio, ora em  ritos e crenças desses povos diante de tudo que esse momento representava.

O enfrentamento da morte, nossa única certeza, mais uma vez sendo exercido em confrontos com espíritos malignos, como se julgava ser a batalha entre o bem e o mal. A morte sendo encarada como um castigo de uma vida desregrada, principalmente se desvinculada de dogmas religiosos, daí a força dos rituais.


E por aqui não é diferente, pois os nossos personagens folclóricos também têm essa relação com o medo, a desobediência, o sobrenatural, à ligação com o mal, em maior ou menor grau. Não temos bruxas, mas temos seres  mágicos e animais personificados que representam os medos humanos, formados a partir daquilo os povos indígenas, os afro-brasileiros e os moradores dos interiores desse imenso país tinham contato : jacarés, cobras,  aves, boto, mula, cavalo, lobo, entre outros. Personagens que conversam muito mais com a nossa realidade e nosso idioma e que também nos amedrontam com o roubo de nossos bens, de pessoas queridas ou da nossa própria alma e que também nos falam de preservação, sedução, transgressão e moralidade.


Dessa forma, não ficamos nada a dever aos personagens e celebrações glamourizadas das tradições estrangeiras. Eles souberam capitalizar suas crenças e fizeram disso um grande negócio, algo que deixamos ainda no campo das lembranças infantis e com pouca importância e relevância da nossa cultura. Precisamos expandir a celebração do nosso folclore além das salas de aulas e das comemorações de Agosto. O que impede de darmos ao nosso folclore o mesmo investimento em criatividade, educação, divulgação e reconhecimento?


Nos vemos, nos lemos!